Ó grandes oportunistas,
sobre o papel debruçados,
que calculais mundo e vida
em contos, doblas, cruzados,
que traçais vastas rubricas
e sinais entrelaçados,
com altas penas esguias
embebidas em pecados!
Ó personagens solenes
que arrastais os apelidos
como pavões auriverdes
seus rutilantes vestidos,
todo esse poder que tendes
confunde os vossos sentidos:
a glória, que animais, é desses
que por vós são perseguidos.
Levantai- vos dessas mesas,
saí das vossas molduras,
vede que masmorras negras,
que fortaleza seguras,
que duro peso de algemas
que profundas sepulturas
nascidas de vossas penas,
de vossas assinaturas!
Considerado no mistério
dos.
Considerai no mistério
dos humanos desatinos,
e no polo sempre incerto
dos homens e dos desatinos!
Por sentenças, por decretos,
pereciveis divinos:
e hoje sois, no tempo eterno,
como ilustres assassinos.
Ó soberbos titulares,
tão desdenhosos e altivos!
Por fictícia austeridade,
vãs razões, falsos motivos,
inutilmente matastes:
vossos mortos são mais vivos;
e…
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