Ivens,
Eu o conheci através do rádio e juntos dizemos ao mesmo tempo a frase – a vida é tão curta, curta! – e rimos juntos sem conhecer direito um ao outro. Eu não sabia seu nome, mas sabia que era um dos responsáveis por cuidar da minha mãe. Já o havia visto algumas vezes no corredor do hospital e quando falei sobre isso a dureza da dor de ter perdido ela – à época – se transformou em leveza quando me contou sobre o quanto ela sentia sua poesia misturada às minhas.
Eu era uma menina de tranças, olhos sonhadores e palavras simples. Eu era a Lurdinha da Rádio A Voz do Oeste e você já era o Ivens, poeta, médico, cuidador, natureza e Cuiabano. falamos das formigas, das mangas, dos cajus e dos quintais. Das ruas e das estradinhas e de repente, você me fez igual ao olho do homem que vê a natureza tão única.
Fiz tantas perguntaiadas ao longo de outros encontros e como sempre esquecemos de registrar os momentos, mesmo depois do advento dos celulares. Entre uma exposição e outra, um lançamento e outro, uma realidade ou fantasia.
Seu riso largo abraçava antes do abraço e seu olhar nos desnudava diante de sua poesia. E lá estava eu, admirava te vendo imortal… lembro-me de que em meio ao abraço perguntei se imortal não morria e seu riso alcançou minha alma: vive para sempre em suas obras.
A cada encontro eu te perguntava e perguntava e você sempre entre risos dizia: que perguntaiada é essa? E hoje sou eu quem pergunto: quem consolará a solidão de sua ausência?
Sei que você sempre responde entre risos, mesmo que seja para além dos ventos, das asas dos pássaros e dos quintais: a poesia.
Que você seja sempre a poesia viva, moço, seu doutor! Obrigada por tanto ensinamento!
Abraço,
Mariana Gouveia








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