Era oblíqua a lua, em seu estado vagaroso, seu olhar transversal em um céu nublado, sem nuvens, e atravessa a janela lateral da rua de cima. O búzio que me traz o sol na escuridão da noite. O vulto que vagueia nas sombras desenhadas pelas mãos. A previsão dentro das rotinas de vento e o intempestivo jeito de amar dos bichos. A gente fala das palavras de solidão e a canção busca na memória o revival dos contos lindos da infância. As coisas miúdas estampadas na parede… O segredo, um ovo feito no estuque para guardar bilhetes.
A ladainha da velha da esquina a repetir o mantra. Quase era tudo, um nada no telhado e a ave gigante lembrava uma história que alguém contou e eu não vivi. A saudade ladeira abaixo empunhando os gritos. Os caminhos que levam para outros cômodos. A porta dava para além dos quintais e muros que, logo ali, davam de encontro ao riacho. A vida é esse ciclo de memórias e vivências. O amor, é esse estágio branco escondido nas asas atrás da porta e que bebe água do rio, que sempre deságua no mar.
Mariana Gouveia
Source: O amor, é esse estágio branco escondido nas asas – O Outro Lado









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