* quote extraído do Coletivo Ao vento, todo dia — todo dia, de Suzana Martins
Ana,
às vezes, só às vezes, eu esqueço do combinado e volto a pensar em você… hoje mesmo, a lua está divinamente ligada à Marte em linha reta e não teve como não ligar você e o universo pleno de memórias suas.
Já te contei que te vejo nas minhas ruas e até te chamo pelo nome para depois descobrir que era apenas alguém parecido… uso a desculpa do olho em conserto para não usar a vontade do coração. Soletro seu nome duas vezes seguidas para justificar essa ausência.
Como regular a saudade no corpo, Ana? Como esquecer dos poemas que declaramos juntas e que não coube mais na sua letra em memória de mim, feitos ainda em um testamento falso de que apenas isso finalizaria uma história dividida entre dois países, em um caderno vazio… dentro das ruas e vilas que você me levava pelas mãos mundo afora.
Em tempos de remake, a nossa história virou um livro… dos mais lindos e eu fiquei por dias na soleira da porta te esperando para te contar… mas, o silêncio, esse vazio no universo todo parece o poema do teu caderno branco e não houve ecos, mesmo que eu gritasse.
Foi assim: você nunca mais regressou e eu deixei recados escritos às pressas para caso você voltasse, mesmo sabendo que não… por isso, Ana, leva com você a canção que cantamos juntas e que esqueci a letra, leva também as manhãs mornas e deixa comigo só a lua e suas fases inconstantes, assim como essa saudade, as lembranças e a poesia.
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Source: Sexta, 08— *Esquecida nos adjetivos que desenhei no poema do teu caderno vazio – O Outro Lado










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