Ei, Teresa Maria,
O tempo muda por aqui e se eu te contasse quantas vezes a moça do tempo erra em sua previsão você ia dizer que é brincadeira. Está certo, que de vez em quando ela diz: pode chover a qualquer momento – e isso dito dessa forma me dá várias possibilidades. Mas, o fato é que, o tempo muda e um vento frio surge para os lados do Sul e eu te escrevo nesse fim de tarde, quase noite para te dizer que nada mudou. O medo ainda bate na porta, o meu pássaro de todo dia ainda vem para pousar na mão e os girassóis que plantei, devem dar flores em alguns dias.
O céu está estrelado e eu li no poema de uma moça que adoro que: ” numa noite cheia de galáxias distantes, amarraram na sua porteira – sempre entreaberta – uns óculos estranhos, bem mais escuros que o breu dos seus cabelos. Ela sabe que ninguém pode fugir do que está tão perto, do que é sem nome”.
E eu não tenho nome para esse tempo de agora. Porque, às vezes, a vida mistura morte e vida, tristeza e encanto e cabe-nos gerir tudo dentro de nós… nem sempre a gente consegue, assim como a moça do tempo não consegue dizer com certeza sobre a mudança do tempo. Em caso de dúvida, leve um guarda-chuva.
Mariana Gouve





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