De que eu me lembro?

O Outro Lado

Lembro-me do vento a agitar os tsurus nas árvores e era uma manhã clara de um sábado qualquer de novembro. Logo depois chegou o envelope lilás de Paris e a carta falava da volta e havia ideogramas com nossos nomes coloridos… Parece mentira, mas lembro-me dos cheiros desse dia… e durante muitos dias depois me lembraria do cheiro do pão fresquinho da padaria da esquina, do orvalho se desprendendo dos capins na beira da calçada e do hortelã recém colhido por alguém na redondeza… Uma moça havia passado por mim e deixado um rastro do perfume anais anais rua afora – atemporal na memória, pensei nas últimas gotas que você havia deixado em cima da cômoda do quarto quando você se foi – enquanto eu fechava o portão, com o envelope nas mãos.

Depois disso, lembro-me que todas as tardes, eu ficava na janela, ouvindo os barulhos da rua de…

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