Smart TVs baratas à custa da privacidade dos utilizadores

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Estamos habituados a que serviços gratuitos como os da Google ou Facebook usem os nossos dados como forma de pagamento, mas os fabricantes de Smart TVs estão a fazer o mesmo, e dizem que só assim podem praticar os preços que praticam.

No passado já passamos por alguns casos caricatos, como quando se pediu aos fabricantes de portáteis que disponibilizassem modelos sem o Windows pré-instalado… e eles disseram que, ao contrário do que se esperaria, o preço do portátil teria que aumentar, já que perdiam o dinheiro que recebiam para adicionar diversos serviços pré-instalados. Agora voltamos a estar numa situação idêntica, mas referente às Smart TVs.

Tal como o Facebook e Google (e centenas de outros serviços de tracking) seguem atentamente todo e cada movimento que fazemos online, também as Smart TVs permitem recolher preciosos dados sobre o que os utilizadores vêem e fazem (e não é propriamente novidade, pois já se falava disso em 2015).

À semelhança do serviço de VPN Onavo que o Facebook utilizou para espiar serviços concorrentes, os fabricantes de Smart TV estão na invejável posição de terem acesso a tudo o que um utilizador faz com o seu televisor. Ou seja, um serviço como a Netflix sabe exactamente o que cada cliente faz dentro da sua app, mas tudo isso termina no momento em que o cliente encerra a mesma – já o fabricante da Smart TV, sabe se logo de seguida o utilizador abriu o YouTube, ou saltou para o Amazon Prime, o que lá fez e por quanto tempo lá permaneceu. Dados extremamente valiosos para determinar o desempenho da concorrência e reagir em conformidade.

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Alguns fabricantes permitem limitar parcialmente o tipo de dados recolhidos, mas a maior deles utiliza uma táctica idêntica à da Microsoft no Windows 10, em que mesmo limitando a informação ao máximo, há coisas que continuam a ser enviadas para eles. Uma opção mais radical passa simplesmente por não ligar a Smart TV à internet, mas isso implica perder muitas das suas funcionalidades; outras para utilizadores mais avançados, poderá consistir em bloquear apenas o acesso a determinados endereços relacionados com o envio dessa informação.

Talvez com o pressuposto de medidas como o RGPD, se possa fazer maior pressão para que os fabricantes tenham que prestar contas quanto ao tipo de dados que estão a recolher e a vender; pois embora o Facebook esteja neste momento a ser visto como o “lobo mau”, a verdade é que o abuso na recolha e partilha / venda de dados dos utilizadores é algo que está disseminado de forma muito mais global.

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